sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Machu Picchu


Machu Picchu é simplesmente mais do que você imagina... Você precisar subir a montanha para saber o que a “cidade perdida dos incas” realmente é – além da energia que o lugar trasnmite...

Machu Picchu nos primeiros raios de sol... Sim, estava bem frio!!
Apesar da “descoberta” tardia das construções, em 2011, completou-se 100 anos, a “velha montanha” (em quíchua, Machu Pikchu significa velha montanha) já era conhecida pelos habitantes da região. Tanto é que a viagem de Hiram Bingham e sua trupe de exploradores foi liderada pelo filho de um camponês das redondezas, que conhecia as enormes ruínas cobertas de vegetação e muitas cobras.

Assim, o “descobrimento” das ruínas por um americano marcou a entrada do local no rol de ruínas incas que deveriam ser visitadas – se não for a principal! Machu Picchu é o retrato da arquitetura inca, com suas paredes de pedras milimetricamente encaixadas e lisas e sistemas “perfeitos” de drenagem de água.

Machu Picchu e montanhas vistos de Intipunku - Porta do Sol
Descendo o rio Urubamba, a vegetal em Machu Picchu muda completamente daquela de Cusco. A 2.400 metros de altitude, as inúmeras montanhas que cercam o local são cobertas de mata densa, árvores altas e muita umidade. O local, que foi escolhido a dedo por Pachacutec para servir de local de proteção em caso de ataques, é simplesmente fantástico, mesmo se as ruínas não estivessem ali. 
 O nascer do sol é o melhor horário para visitar as ruínas, não só por estar mais fresco e mais vazio, mas pela beleza de ver os primeiros raios de sol tocar as ruínas e a pedra Intihuatana ("onde se amarra o Sol" – primeiro quadradinho de Machu Picchu “tocado” pelos feixes de luz). Nas horas mais quentes, escolha um terraço usado para agricultura de descanse, mas fuja dos guardinhas: é proibido dormir em qualquer canto de Machu Picchu!!!!

A dificuldade de acesso, aliada a um rigor por parte da administração do Santuário Histórico de Machu Picchu, facilita a preservação do local. O rigor para manter o local intacto, mesmo sabendo que só 30% das ruínas são construções originais (o restante foi reconstruído), por exemplo, impõe uma visita de apenas 400 pessoas ao topo de Huayna Picchu por dia. 

Povoado de Aguas Calientes e rio Urubamba
Você só chega a Machu Picchu de trem ou pela trilha inca (falarei mais abaixo), e a parada em Águas Calientes – povoado às margens do rio Urubamba e ao pé da montanha é obrigatória. Aguas Calientes é muito chinfrim... Mas como é o único ponto de apoio para quem viaja para as ruínas, você vai precisar passar, no mínimo, uma noite lá. 

 Normalmente, as pessoas chegam em Aguas Calientes e seguem direto para Machu Picchu. Elas contratam um dos inúmeros guias que ficam na entrada do Complexo e cobram por duas horas de explicações. Depois disso, voltam para o povoado, dormem e retornam para Cusco no trem da manhã seguinte. Isso não é o mais legal!!!!
Você pode até subir a montanha no dia que você chegar, ouvir as explicações e voltar às 17h, quando o parque fecha, mas o melhor e acordar cedo e chegar ao parque ainda de madrugada. Aproveite e fique 10 horas lá dentro! Explore cada cantinho e vá para todos os lugares. Durma (é proibido, mas as pessoas acham um jeitinho) ou apenas sente nos terraços e fique contemplando aquele lugar maravilhoso. Fique até o último minuto possível...
Quanto à saúde, valem as mesmas dicas de Cusco. Machu Pichu está a mais de 2400 metros de altitude. Muitas pessoas se sentem enjoadas ou com falta de ar. Para melhorar um pouco a “doença das alturas”, os andinos mascam ou fazem um chá da folha de coca. Vá sem preconceitos. Você pode mascar a folha o dia inteiro que você não vai ficar doidão, nem terá níveis de cocaína no sangue. Isso é tudo lenda. A folha de coca faz parte da cultura andina e só ajuda quem está em altitudes elevadas.

Intipunku - Porta do Sol
Se a folha de coca não te ajudar, nas farmácias são vendidos Kits de oxigênio para respirar.

Na entrada do parque de Machu Picchu, há restaurante e banheiros, mas você não vai querer sair e entrar no parque o tempo todo, pois dependendo de onde você está, a caminhada até a portaria pode durar até 1h. Algumas coisas que você deve ficar atento:
·         Leve água e lanches rápidos e frutas.
·         Protetor solar e óculos de sol são fundamentais.
·         Vá de calça cumprida e, se possível, blusa de manga cumprida bem leve. Há muitos mosquitos, formigas e outros insetos que incomodam. Eu fui de blusa de manga curta e sofri!
·         Vá com disposição para andar muito e subir muitas escadas!

Terraços agrícolas
Então vamos especificas as dicas!

Quando ir:
O ano todo, mas o inverno é o mais recomendável. Prepare-se para noites muito frias e dias muito quentes... Mas a vantagem é que o céu estará sempre claro e com poucas, e as fotos ficaram lindas! Como é alta estação, os preços de tudo estarão nas alturas! Prepare o bolso, pois tudo em Aguas Caliente é o dobro do preço de Cusco, que já é o dobro do preço de Lima.
Nas outras épocas do ano, chove muito e isso pode dificultar a visita a Machu Picchu.
Se você tem um tempo um pouco maior, visite o Santuário logo pela manhã. O nascer do sol é o melhor momento, pois, além da belíssima visão do nascer do sol, Machu Picchu está mais vazio porque os trens com os turistas chegam em Aguas Calientes a partir de meio dia.

Transporte:As opções são limitadas: ou de trem até Aguas Calientes ou caminhando.
Saindo de Cusco, as duas estações de trem que ligam a capital da província até Macu Picchu são Poroy e Ollantaytambo. Os tickets dos trens devem ser comprados com antecedência. Se a sua agência de viagens está organizando tudo, ótimo. Se não, o site da única empresa de trens do Peru é a http://www.perurail.com/


"Residências"
Aliás, a empresa de trens Perurail é excelente! 

 Quanto às estações, Poroy é a mais próxima de Cusco e, mesmo assim, afastada – cerca de 30min de taxi. Lembro que a cena mais inusitada da viagem aconteceu justamente do caminho para Poroy. O taxista estava com pressa e resolver pegar um atalho... esperou um trem passar e enfiou o carro nos trilhos e andou um bocado colado no trem que ia na sua frente. Pena que não consegui registrar a cena!!!

Ollantaytambo, no Valle Sagrado, fica a 76Km de Cusco.
 
Se você decidiu fazer a Trilha Inca, a mais famosa trilha da América do Sul, prepare-se para 43km em 4 dias – essa é a duração média das caminhadas, mas você pode escolher a de dois días. Em Cusco há inúmeras agências que oferecem o serviço. Você vai precisar pegar o trem e parar no KM 82, onde começa a trilha mais utilizada. 

Você vai subir e descer montanhas; passar por sítios arquiológicos e ruinas até ter a primeira visão de machu Picchu, em Intipunku. Existem acampamentos de apoio ao longo do percurso, mas não há locais para tomar banho! Existem opções de menos días.
Casa do Guardião e Huayna Picchu ao fundo

Hospedagem:
As pousadas são praticamente iguais, assim como os restaurantes. Os preços, altos!
Se você é mais afortunado, fique no Machu Picchu Sanctuary Logde Hotel (www.sanctuarylodgehotel.com/) – é o único hotel na montanha de Machu Picchu e ele fica ao lado da entrada do parque. Acordar, abrir as janelas do quarto e apreciar a vista maravilhosa lá de cima deve ser muito bom!!!!!!
Se você não é tão afortunado assim, as opções são ficar nas pousadinhas ou albergues de Aguas Calientes.
Veja no www.booking.com as opções. Se você gosta é de albergues, o www.hostelworld.com/ a melhor opção para você.
Se você quer economizar e vai ficar em um albergue, em Aguas Calientes eu recomendo o albergue da rede Pirwa (www.pirwahostelscusco.com), em especial o Pirwa Backpackers Machu Picchu. Ficamos lá e foi tudo ótimo! Atendimento bacana e quartos limpos! 

Ingressos e entrada em Machu Picchu

Templo do Sol - única edificação circular
Sim!!! Decidiu os dias da sua viagem, então é hora de comprar os tickets para entrar no Santuário de Machu Picchu. As coisas mudaram muito de uns tempos para cá! Você pode comprar as entradas na sede do Ministério do Turismo em Àguas Calientes (Avenida Pachacutec, próximo à Plaza Del Pueblo) ou em Cusco (Avenida El Sol, 103). Além dessas opções, o governo do Peru disponibiliza também o site http://www.machupicchu.gob.pe/ para a compra das entradas em Machu Picchu e para a subida em Hayna Picchu. Antecipe-se e compre pelo site!

 O seu ticket de entrada tem o seu nome e o número do seu passaporte. Logo, você precisa apresentá-lo ou a identidade na entrada.  
Se você fará a trilha inca, o seu guia comprará a entrada e cobrará no seu pacote. Não em jeito, você vai pagar a bagatela de USD 128,00 para entrar no sítio arqueológico.
Hayna Picchu: Lembre-se que apenas 400 pessoas sobem a montanha!!!! Antigamente, você tinha de acordar de madrugada e enfrentar uma fila para subir a montanha. Os primeiros 400 entravam. Hoje não é mais assim!!! São dois grupos: um de 200 pessoas às 7h e outro, às 11h. 
Infelizmente, quando eu fui, não tinha mais disponibilidade. É uma atração muito concorrida e raramente alguém desiste.

E para piorar: os ingressos têm o nome e o número do passaporte. Se alguém desistiu, tem de devolver para o governo e tentar o reembolso... não vai dar para passar para um terceiro.
Praça Central
Além dos USD 128,00 da entrada de Machu Picchu, para visitar Huayna Picchu, o visitante deve pagar mais USD 24,00.
Entrada no Santuário: de Aguas Calientes, as opções são:
·         Pegar a van no ponto de ônibus (Alameda Pachacutec) entre 5h e 16h, com ônibus a cada 15min. O percurso dura 30 minutos de duração e o valor é de USD 18 ida e volta. O último ônibus sai de Machu Picchu às 17h30, visto que o parque fecha às 17h.
·         Caminhar e subir a montanha por uma escada de acesso (duração média: 1h40 – boa sorte)
·       Quem chega em Machu Picchu pela trilha inca não precisa passar por Aguas Calientes.

Atrações:
O Complexo de Machu Picchu está dividido em 2 áreas: a zona agrícola, formada por conjuntos de terraços de cultivo, que se encontra ao sul; e a zona urbana, que é aquela onde viveram seus ocupantes e onde se desenvolviam as principais atividades civis e religiosas. As duas zonas estão separadas por um muro, um fosso e uma escadaria, elementos que correm paralelos pela face leste da montanha.
Casa do Guardião e Zona rural ao fundo
·         Zona agrícola: ficar sentado nos terraços só contemplando as montanhas ou as ruínas já vale a viagem. Aproveite para descansar nos horários mais quentes. Não deixe de passar pela “Casa do Guardião”. Dali você tem uma visão completa do complexo, além do melhor lugar para tirar fotos

 ·         Zona urbana: No alto do muro que separa a parte urbana da rural, está a Porta de Machu Picchu. Quando o imperador e os habitantes da cidade estavam presentes, a porta ficava aberta. Quando saiam, sempre fechada. 
Zona Urbana
Templo do Sol, ou "Torreón", é a única estrutura circular de Machu Picchu e era usado pelos incas para estudar os efeitos dos solstícios de verão. O Torreón está construído sobre uma grande rocha sob a qual há uma pequena cova que foi forrada completamente com argamassa fina. Supunha-se que o local era um mausoléu e que em seu interior haveria múmias. 

Residência Real: das construções destinadas a residência real, esta é a mais fina, maior e melhor distribuída. A residência inclui duas peças de grandes monólitos de pedra bem talhada, e uma delas dá acesso a um quarto de serviço com canal de deságue. O conjunto inclui um curral para llhamas e um terraço privado com vista ao lado leste da cidade.
  
Área sagrada: É chamado assim o conjunto de construções dispostas em torno de um pátio quadrado. Todas as evidências indicam que o lugar estava destinado a diferentes rituais. Visite o Templo das Três Janelas, cujos muros de grandes blocos poligonais foram postos como um quebra-cabeças, e o Templo Principal, de blocos mais regulares, onde acredita-se que tenha sido o principal centro de cerimonial da cidade. Ao lado do Templo Principal está a casa do sacerdote, ou câmara dos ornamentos, conjunto que não havia sido terminado. 
Porta de Machu Picchu

O Intihuatana, ou "onde se amarra o Sol", é uma pedra talhada que esta posicionada de acordo com alinhamentos astronômicos e a posição das montanhas que circundam a cidade. É lá o primeiro ponto de Machu Picchu a receber os raios solares pela manhã. 

Próximo a entrada para Hayna Picchu fica a Rocha sagrada, pedra de face plana colocada sobre um amplo pedestal, indicando o extremo norte da cidade.
Ao lado da Praça Central, grande alameda vazia e de acesso restrito, fica o Grupo das três portas, conjunto arquitetônico dominado por três grandes kanchas dispostas simetricamente e comunicadas entre si. Suas portas, de idêntico formato, dão para a zona central de Machu Picchu. 
  
·         Huayna Picchu (em quíchua, “jovem montanha”), é a montanha com formato de rosto de homem que aparece nas principais fotos do local. A entrada é restrita a 400 pessoas por dia, e uma subida exaustiva leva ao cume. Algumas partes são escorregadias e protegidas por cabos de aço. Às vezes, durante a estação chuvosa, os passeios estão fechados. O topo Huayna Picchu seria a residência do sumo sacerdote. Todas as manhãs, antes do nascer do sol, o sumo sacerdote, com um pequeno grupo ia a pé a Machu Picchu para assinalar a chegada do novo dia.

Grupo das três portas

A partir da cúpula, uma trilha leva até o Templo da Lua, um dos três templos principais na área de Machu Picchu.
·         Intipunku, ou Porta do Sol, é a entrada de Machu Picchu para quem chega pela trilha inca. È o lugar onde os viajantes verão, pela primeira vez, as ruínas da cidade.
Tchau, tchau...



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Valle Sagrado



Chamado de Valle Sagrado, o belo vale do rio Urubamba (que significa Sagrado em quíchua), a 15 km ao norte de Cusco, foi o local que os incas escolheram para construir inúmeras cidadelas que protegeriam a cidade a capital do império ou serviriam de local de “veraneio” para os Imperadores. Mais tarde, essas cidadelas serviram de pontos de descanso para a longa viagem de 25 dias até Machu Pichu.

Ruinas de Ollantaytambo
A complexidade da arquitetura e da agricultura, principalmente, é bem visível nos sítios arquilógicos do Valle Sagrado. Os inúmeros terraços de plantio, construídos de cima para baixo, ajudavam a estabilizar as casas dos nobres na ponta das montanhas, assim como evitar deslizamentos em caso de terremotos.
Separe um dia e meio de sua viagem para conhecer os encantos das ruínas, passear por mercados enormes e cheios de cultura ou apenas observar como a natureza é maravilhosa!

Vale do Rio Urubamba
Para visitar as principais atrações de Cusco e do Valle Sagrado, o visitante precisa comprar um boleto turístico (S.130/70). A compra desse bilhete só é feita nas agências do governo (Avenida El Sol, 103 - www.peru.info) ou nas bilheterias das ruínas do Valle Sagrado. O boleto turístico de S. 70 é a melhor opção para quem faz o tour de 1 dia e meio para o Valle Sagrado, pois dá direito a entrada em 4 sítios arqueológico: Pisac, Ollantaytambo, Moray e Chinchero. 

Qualquer agência de viagens em Cusco tem pacotes para o Valle Sagrado. O preço, normalmente, é de S.40 sem almoço. Em um dia, você vai passear por três ruínas (Pisac, Ollantaytambo e Chinchero); você precisará de outra manhã para visitar a outra ruína.

A viagem para Valle começa na cidade de Pisac (Pisaq, em quíchua), a 2.950 m de altitude. A cidade fica entre o Rio Urubamba e as fortalezas incas. Lá o clima já é bem mais agradável que em Cusco. Organize sua viagem para que você visite a cidade e as ruínas nos dias de terças, quintas e domingos, quando acontece a tradicional feira de artesanatos da região. A feira é enorme e a cidade fica lotada, mas vale a pena conhecer. 

Ruinas de Pisac
Ali é um dos melhores lugares para comprar lembrancinhas. As ruínas de Pisac são lindas e a vista de lá é incrível: de um lado o belo rio Urubamba e, do outro, montanhas e mais montanhas... 

 Em Pisac, os terraços predominam, mas, como toda cidadela inca, com um centro de cerimônias com um intihuarana (área para observar o sol – os incas adoravam a astronomia) e outros templos menores para adoração dos deuses, de onde é possível ver as inúmeras tumbas incas nas paredes da montanha ao lado. 
Descendo o rio, a 2.750 m de altitude, chega-se a Ollantaytambo. Essa cidade é um dos pontos de partida para quem vai a Machu Pichu de trem ou pelo Caminho Inca. As ruínas de Ollanta são os melhores exemplos de como era uma cidade inca: ruas estreitas de paralelepípedos, prédios antigos de pedra e inúmeros canais de irrigação. 
Ollantaytambo
O forte de Ollantaytambo era bem protegido e, ali, os espanhóis perderam uma importante batalha na tentativa de conquistar a região – mas depois o meio irmão de Francisco Pizarro, Hernando Pizarro, utilizou força total e conseguiu capturar o “rebelde” Manco Inca.
O forte de Ollantaytambo também conta com um grande centro de cerimônias no topo da montanha, com enormes paredes de pedras que vieram de uma pedreira a 6km de distância.  Em frente às ruínas de Ollanta há um templo de observação das estrelas e do sol.

Templo de observação em frente às ruinas de Ollantaytambo
Vá preparado para o vento! Nas ruínas de Ollanta, o vento castiga...

Subindo novamente, a 3.176m de altitude, em Moray, você vai ver os únicos terraços incas redondos. Isso mesmo! Os terraços de agricultura foram construídos em um grande círculo. Não se sabe ao certo o motivo de os incas terem construídos os terraços dessa forma, mas especula-se que Moray fosse uma estação de agricultura experimental, pois as temperaturas no topo da montanha (1º círculo) e no fundo (último círculo) podem diferir em até 15ºC.
terraços de Moray
Por fim, Chinchero. A 3.760m de altitude, a população do vilarejo, com fortes traços coloniais, ainda utiliza as mesmas técnicas que os incas no tingimento da lã – com raízes de árvores locais, insetos – e na confecção das mantas. Visite as oficinas das tecelãs. É um excelente local para comprar produtos de lã de alpaca. O preço é um pouco mais caro que na cidade porque é tudo artesanal.
Artesãs de Chinchero

Quanto à saúde, vale lembrar que o Valle Sagrado está entre 2600 e 3700 metros de altitude. Muitas pessoas se sentem enjoadas ou com falta de ar. Para melhorar um pouco a “doença das alturas”, os andinos mascam ou fazem um chá da folha de coca. Vá sem preconceitos. Você pode mascar a folha o dia inteiro que você não vai ficar doidão, nem terá níveis de cocaína no sangue. Isso é tudo lenda. A folha de coca faz parte da cultura andina e só ajuda quem está em altitudes elevadas.
Se a folha de coca não te ajudar, nas farmácias são vendidos Kits de oxigênio para respirar.

Início da noite no Valle Sagrado
Beijos

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cusco - a Capital do Império Inca



Todas as estradas do grande império inca convergiam para uma cidade: Cusco - em espanhol Cuzco ou Cusco, em quíchua Qosqo ou Qusqu. Diz a lenda que os filhos do sol, Manco Cápac e sua irmã Mama Ocllo, emergiram do Lago Titicaca e seguiram para o Vale de Cusco para criar uma nova e imponente civilização: os incas. Os irmãos seguiram para um local próximo ao Valle Sagrado, onde iniciaram a construção de sua cidade. A capital do império atraia gente de todos os lugares dos Andes, impressionados com a beleza das construções e para ficar mais próximos do Imperador Pachacutec.
Iglesia de la Campañia de Jesús
No século XVI, o império sucumbiu à invasão espanhola, mas a cidade, com suas ruínas incas e igrejas barrocas, bons restaurantes e uma vida noturna bem agitada, continua atraindo gente de todo os Andes e de diversos países – principalmente europeus. 

Em Cusco você vai ver que roupas coloridas fazem parte do dia a dia das pessoas, assim como amarrar as crianças nas costas, que passear com a sua lhama de estimação não é diferente de um cãozinho e que a culinária peruana (digo, comer cuy e outras coisas mais impressionantes) é ainda mais rica.
 
Não deixe de comer nas picanterías (restaurantes informais - se você se preocupar muito com a higiene, você não vai sair do seu quarto) e experimentar os bolos de milho (tomales) e as chirichu (carne com outras sobras – estilo mexidão, mas sem ovo). 

Templo do Sol
Em Cusco, você terá a chance de experimentar a Chicha amarilla (cerveja de milho amarelo). 

Os mercados, principalmente o Mercado San Pedro, são fantásticos. Lá você verá de tudo um pouco: roupas de lã de alpaca, artigos para casa, temperos, frutas, animais... Nós íamos quase todos os dias ao Mercado San Pedro (2 quadras do nosso Hostel) e sempre nos surpreendíamos com as coisas que era vendidas ali. 

Fotos não são suficientes para descrever o local: você precisa ir até lá.

Passear sem destino pelas ruas de Cusco é um atrativo a mais: em cada esquina há uma praça ou igreja mais bonitinha que a outra. A mistura da arquitetura incas com a europeia (barroca) é impressionante: fiquei com uma certa raiva dos europeus ao ver que eles transformaram Qorikancha (um templo inca, com enormes paredes de pedra sem reboco e perfeitamente encostadas) em uma enorme igreja.
 

No bairro San Jerónimo (vá durante o dia), você verá como os andinos realmente vivem; nos arredores de Cusco, você conhecerá ainda mais da vida dos incas, com as enormes ruínas de Sacsaywamán e as do Valle Sagrado.
No centro da cidade, a Plaza de Armas é o ponto de encontro de todo mundo e a referência para qualquer viajante. A Plaza é enorme e rodeada de igrejas, aliás, prepare-se para visitar muitas igrejas... 
Plaza de Armas - Fonte de Pachacutec

 Mas Cusco não atrai turistas só por sua beleza. Ali é o ponto de partida para qualquer pessoa que queira visitar o Valle Sagrado e Machu Pichu – mas vamos deixar esses dois lugares para depois.

Quanto à saúde, vale lembrar que Cusco está a mais de 3400 metros de altitude. Muitas pessoas se sentem enjoadas ou com falta de ar. Para melhorar um pouco a “doença das alturas”, os andinos mascam ou fazem um chá da folha de coca. Vá sem preconceitos. Você pode mascar a folha o dia inteiro que você não vai ficar doidão, nem terá níveis de cocaína no sangue. Isso é tudo lenda. A folha de coca faz parte da cultura andina e só ajuda quem está em altitudes elevadas.
Se a folha de coca não te ajudar, nas farmácias são vendidos Kits de oxigênio para respirar. 
Mercado San Pedro - visita obrigatória
Então, vamos às dicas!!!! 

Embaixada do Brasil em Lima:
Av. José Pardo 850 •  Miraflores
Tel:  51 (1) 512-0830
EMERGENCIAS: 985039263
www.embajadabrasil.org.pe/

Documentação:
Passaporte, com validade superior a seis meses.

Quando ir:
O ano todo, mas o inverno é o mais recomendável. Prepare-se para noites muito frias e dias muito quentes... Mas a vantagem é que o céu estará sempre claro e sem nuvens, e as fotos ficaram lindas! Como é alta estação, os preços de tudo estarão nas alturas! Prepare o bolso, pois tudo em Cusco é o dobro do preço de Lima.
Nas outras épocas do ano, chove muito e isso pode dificultar as visitas aos templos e ruínas.  

Moeda:
Nuevo Sol ou, simplesmente, Soles.
Se você está levando reais, troque-os em Lima (dicas aqui). Em Cusco, eles desvalorizam ainda mais a nossa moeda e dão preferência para dólares ou euros.
Há caixas eletrônicos em vários pontos da cidade.
Os restaurantes costumam aceitar cartão de crédito (Mastercard com uma taxa extra), mas nos mercados, você só paga em dinheiro.


Cusco
Transporte:
A melhor opção é viajar de Lima para Cusco de avião. A viagem não dura mais que uma hora e pouco. As principais empresas que fazem o trajeto são: LAN, Taca, Star Peru e Perivian Airlines.
Se você comprar com antecedência, os preços são bem baixos.
A viagem de ônibus não é recomendada. Você ficará mais de 12h subindo e descendo montanhas, curvas e mais curvas, em altitudes que podem chegar a 4000 metros. Os enjoos são mais que frequentes e as viagens são desagradáveis.

Hospedagem:
Hotel ou albergue, não importa: fique perto da Plaza de Armas. Ali estão as principais agências de turismo, restaurantes, casas noturnas, casas de câmbio, agências governamentais e atrações.
Veja no www.booking.com as opções. Se você gosta é de albergues, o www.hostelworld.com/ a melhor opção para você.
Se você quer economizar e vai ficar em um albergue, fuja do Perwa Colonial (www.pirwahostelscusco.com). Apesar do Hostel estar numa das melhores localizações de Cusco – na Plaza San Francisco, duas quadras da Plaza de Armas e duas quadras do Mercado San Pedro –, as instalações deixaram muito a desejar. O quarto que ficamos era um pouco velho, e os chuveiros não esquentavam (ou, quando esquentavam, arrancavam o coro de tão quente, e a água quente durava 2 minutos). 

Eu mencionei, no post sobre Lima, que era importante colocar o seu nome na toalha, lembra? Pois bem... Lá estávamos nós no albergue quando a minha toalha desaparece. Como assim ela não estava mais dependurada na minha cama?

Quando sai do quarto, vi que a arrumadeira tinha colocado as toalhas de todos os hóspedes para secar. Misturou geral! E agora??? não lembrava qual era a minha - só sabia que era branca. Resultado: tive de comprar outra na cidade. 

Então, coloque seu nome na sua toalha para não ter problema. Mande bordar ou escreva de caneta mesmo.
La Catedral
Atrações:
ADORO!!!
Em Cusco, tudo gira em torno do turismo, e as agências vão fazer de tudo para tirar seu dinheiro. Estudantes com carteira internacional pagam meia entrada, masssss..... o estudante só pode ter até 25 anos, acima disso, paga inteira.
Para visitar as principais atrações de Cusco, o visitante precisa comprar um boleto turístico (S.130/70), que permite a entrada em dezenas de atrações, ou o boleto religioso (S.50/25), para as igrejas. A compra desse bilhetes só é feita nas agências do governo – Avenida El Sol, 103 (www.peru.info)
O boleto turístico de S. 70 é a melhor opção para quem faz o tour de 1 dia para o Valle Sagrado (vou explicar mais quando falar do Valle Sagrado). Quanto ao boleto religioso, não vale a pena comprá-lo, a não ser que você queira visitar todas as igrejas/ conventos - museus da cidade. Visitar a nave das igrejas é gratuito!!!! Você paga para ver as outras instalações. Escolha algumas igrejas e compre o ticket na entrada (em algumas igrejas você consegue comprar meia entrada, mesmo tendo mais de 25 anos)

 As principais atrações estão no centro Histórico, visite:
·       Plaza de Armas – principal praça da cidade. No tempo inca, era o coração do império. Importante notar que a bandeira do Império inca (arco-íris) está presente em quase todos os edifícios, e representa os quatro cantos do império.
·    La Catedral – na Plaza de Armas, esse prédio impressiona pelas características barrocas, cujas obras começaram em 1559 e duraram quase 100 anos.  A catedral fica em cima do antigo Palácio inca, e ao lado de outras duas igrejas. Ela é totalmente ornada com trabalhos da escuela cuzqueña.
  
·      Iglesia de La Compañia de Jesús  – também na Plaza de Armas, foi construída em 1571 em cima das ruínas do antigo castelo do último imperador inca, Huayna Capác. Em 1650 precisou ser reconstruída por causa de um forte terremoto.   
 ·    Iglesia Y Mosteiro de Santa Catalina – próximo à Plaza de Armas, é a igrejas das monjas.
 ·       Templo y convento de la Merced – é a terceira mais importante igreja de Cusco.
Múmias incas
·    Museu Inca – Conheça um pouco da história dessa grande civilização que viveu pouco mais de 4 séculos... 

Qorikancha
Qorikancha – “Pátio Dourado”, em Quechua, ou Templo do Sol, era um antigo templo inca que foi destruído para a construção do Convento de Santo Domingo. A base arredondada do templo foi mantida. Parte do templo inca era folheada a ouro e foi completamente saqueada pelos espanhóis. Hoje é uma mistura completamente esdrúxula da arquitetura inca com a colonial. Merece a visita. 
  
 ·      Mercado San Pedro – louco! Só que eu tenho a dizer. 
Cara de cavalo - coisas que você só vê no Mercado San Pedro!

Um pouco mais afastado da cidade, numa subida interminável, fica as gigantescas ruínas de Sacsaywamán, que serviam tanto de complexo religioso quanto militar. Suas pedras, que serviram para a construção da Catedral de Cusco, pesam até 300 toneladas. Vale visitá-la, pois é um “aperitivo” do que será visto no Valle Sagrado.
Sacsaywamán e suas pedras gigantes

Restaurantes:
Os restaurantes costumam ser bons. Servem os mesmos pratos e os preços são similares. Coma ceviche (peixe cozido no limão. Come-se com milho e batata doce e é muito apimentado) e, se você for muito corajoso, o cuy al horno (cuy é o porquinho da Índia – eu não tive coragem). 

Cuy assado - vai experimentar????

 Outras opções de comida são o Anticucho (bife com batata), Caldo de gallina (sopa de galinha tradicionalíssima – encontrada em qualquer esquina); Chicharrones (porco frito), Choclo con queso (milho gigantesco salpicado com queijo ou só com manteiga, se você preferir) e lechón (porco cozido com tamales).

Ceviche de trucha andina
Tudo (que eu experimentei) cai muitíssimo bem com Chicha morada e com a deliciosa Cerveja Cusqueña.

Para se divertir à noite:
1.    Mama Africa - Portal Harinas, 191, 2º andar – Plaza de Armas. Todo mundo vai para lá!
2.    Festas em algum hostel. Alguém vai falar no meio da rua, de preferência na Plaza de Armas, que vai rolar uma festa no bar de algum hostel. Corra para lá!

Compras
As lojinhas de souvenir ficam espalhadas por toda a cidade, mas as melhores coisas são compradas no Mercado San Pedro. Se você esperar um pouco mais, poderá comprar muitas coisas legais no Mercado de Pisac e em Chinchero.

Beijos